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Test-Ride » Honda CB650R
« em: 25 Fev | 2019 | 20:52 »
Test-Ride » Honda CB650R






O teste a uma moto como esta, não exige "preparação" especial (ao nível mental) para aquilo que nos espera, mas é impossível não ficar desde logo e à partida, rendido ao aspecto musculado, desportivo e muito pouco anguloso desta streetfighter, a qual não se faz rogada em mostrar-se com um package visual que quase parece trazer um selo de..."Beauty".

Mas esta beauty (beleza), não está dissociada de um lado que parece pronto para demonstrar uma faceta um pouco mais de...Beast.

É verdade!
Estamos perante uma moto em que lhe assenta - sem entrar em exageros na definição de palavras...o título de um filme: "Beauty and The Beast".






E a razão para todo este aspecto não lhe é inocente, já que os engenheiros e mais ainda o departamento de design da Honda, decidiram continuar o caminho iniciado pela CB1000R...

Esse caminho, bem expresso no design desta novíssima CB650R, é designado pela marca por "Neo Sports Café" e que lhe consegue trazer olhares que se sentem facilmente atraídos no que nela vêem.

Trata-se, de forma muito clara, de um produto que joga pela diferença face à maior parte da concorrência, restando saber neste momento em que se traduzirá essa capacidade de atracção. Falo de vendas, para quem não percebeu...

Globalmente a marca concebeu assim uma moto que, por um lado consegue cumprir com as expectativas de um produto inserido nesta classe e, por outro lado, levou a que se tivesse distanciado q.b. daquilo que se conhece na agora descontinuada CB650F.






De tal modo este design parece ter sido uma jogada acertada, que cheguei mesmo a deparar-me com manifestações (uma semana antes do teste e quando a fui ver), como: [i["Esta é uma moto que me faz recordar a minha Hornet, mas mais bonita"[/i], ou "Olho para ela e fico com vontade de ter uma".

Ora este teste foi para mim uma oportunidade dupla....
Primeiro porque satisfaz o meu gosto na condução por um modelo inserido nesta categoria. Depois, porque estava tentado a pelo menos tentar perceber se aquilo que tinha visto em vídeos sobre a CB650R correspondia ou não à verdade.

Deixo então algumas notas daquilo que resultou deste test-ride:






A posição de condução permitiu-me encaixar nesta moto compacta sem dificuldades.
As peseiras estão ligeiramente recuadas e a uma altura que considero aceitável mesmo para o enfrentar da "selva urbana", local onde muitas unidades deste modelo também andarão de forma regular.

O banco de início pareceu-me ter uma certa dureza, mas quando cheguei ao empedrado fiquei reticente nessa ideia inicial, já que as suspensões em piso mais irregular denotam também uma certa firmeza.






O guiador está bem posicionado, com comandos facilmente operáveis junto aos punhos.

A posição de condução não revelou quaisquer sinais de poder vir a ser cansativa, o que percebi ao longo do tempo (cerca de 1 hora) em que estive com este modelo.

Quanto à altura do banco e o seu perfil descendente...(pois poderá haver quem o queira saber), direi então que é o suficiente para que com os meus 1.81m fique com ambos os pés no chão.

Relativamente aos espelhos têm um design que é já banal e em que não vi senão semelhança a muitas outras, seja dentro da marca, seja concorrentes, cumprindo ainda assim a sua função se estiver correcto o seu ajuste.






Ligada a moto e...aquilo que se ouve leva-me facilmente a concordar com uma publicidade que vi do modelo: uma "banda sonora de 4 cilindros".

É presença constante esta sonoridade que envolve a condução, mesmo estando apenas ao relantim, sendo que os decibéis e uma transformação no tipo de som são algo garantido sempre que se roda o punho de foma mais determinada.

É muito fácil gostar do som que produz, mesmo estando totalmente no seu estado stock. A convergência dos 4 colectores naquela panela de escape curta e colocada parcialmente escondida por baixo da moto, resulta muito bem a nível sonoro.






A CB650R em que andei tinha pouco mais de 100kms, tendo sido em plena condução que lhe vi a quilometragem e me dei conta de algo positivo e também algo que merece crítica no sentido inverso.

Por um lado estamos perante um quadrante esteticamente bem conseguido, com fundo azul (só se percebe de noite ou quando se passa num túnel) e indicações a branco e vermelho, tendo boa parte dos símbolos e numeração de tamanho aceitável.

Isto para além de se encontrar neste painel digital LED informação bastante, como por exemplo indicador da mudança engrenada, um indicador de temperatura relativo à refrigeração e um indicador de passagem para uma mudança mais alta acoplado às rotações do motor para indicar ao condutor quando deve mudar de velocidade. Depois mais à direita existe um fundo preto com diversas indicações luminosas.






O problema que encontrei foi na passgem por zonas sombredas...já que limitava bastante aquilo que se conseguia ler no painel digital LED.

Desconheço se daria para regular a intensidade (possivelmente sim, mas não procurei), mas se com luz directa do sol conseguia ver tudo perfeitamente, quando passava em zonas sombreadas sentia o oposto, já que me dificultava a percepção daquilo que lá se encontrava.

Uma situação talvez inusutada, já que costuma ocorrer ao contrário noutros modelos em que andei, ou seja, com luz directa do sol é que eram criadas condições e mesmo reflexos que não permitiam ver o que lá estava.






A nível de travagem confirmo por inteiro aquilo que os jornalistas diziam depois de a testar... A nova CB650R tem uma travagem bastante forte, capaz da transmitir muita confiança, perfeitamente doseável e (esta seguinte não pude comprovar neste test-ride) muito resistente à fadiga. Nada a apontar senão de positivo neste tocante. A travagem à frente é muito poderosa, com as pinças duplas de quatro pistões e montagem radial a actuar nos discos flutuantes com determinação. Um par de travagens fortes antes de chegar a duas rotundas, vindo a bom ritmo, espelhou uma grande capacidade em reduzir velocidade de forma rápida e eficaz.

Vem também já com tecnologia de sinalização de paragem de emergência, pois numa travagem forte, o sistema detecta-a como sendo abrupta e, automaticamente, activa os 4 piscas. Isto é coisa que, na minha opinião, todas as motos deveriam ter de série.






Em termos de comportamento da moto, o meu teste infelizmente não me permitiu explorar mais o chassis. E tenho pena disso...

Aliás, fiquei bastante "limitado" no que concerne a uma desejada estrada retorcida, já que o meu percurso de test-ride teve um pouco de cidade e depois o resto foi em estrada na N254, que faz a ligação entre Évora e a pequena localidade de Aguiar.

Dentro daquilo que posso descrever do meu teste e com a condicionante das pouquíssimas curvas que fiz (e largas...), a estabilidade da moto a velocidades mais elevadas é extraordinária...

Não se notam movimentos estranhos na direcção mesmo quando a velocidade entra em ritmos muito rápidos, mantendo-se muito directa e transmitindo uma segurança na condução acima de qualquer crítica.






Se no empedrado da cidade achei a suspensão assim para o "firme", em estrada o trabalho da suspensão pareceu-me francamente bom.

A filtragem de pequenas irregularidades da estrada não oferece problemas e a solidez de todo o conjunto percebe-se de forma muito favorável na condução. É uma moto bastante equilibrada e facílima de conduzir.

O conjunto que se tem ao dispor do condutor, num trabalho bem feito por parte da forquilha telescópica invertida da Showa (num bonito dourado), assim como do braço oscilante curvo em alumínio, são determinantes no proporcianar de uma elevada sensação de segurança.






O trabalho da suspensão não interfere na condução de modo negativo, promovendo uma dinâmica bastante boa para manter a moto sempre estável e com os pneus bem colados à estrada.

O seu amortecedor traseiro permite uma afinação em pré-carga com 10 posições distintas, não tendo eu alterado nada aquando do meu teste.
Andei nela como me foi entregue, por assim dizer...

Tenho no entanto de mencionar, ainda que não relacionado com a qualidade e trabalhar da suspensão, que a brecagem da moto poderia ser um nadinha melhor.

O espaço em que fiz inversão de marcha na estrada, depois de me certificar que não vinha ninguém, levou-me à ideia (tendo o guiador todo voltado para a esquerda) que poderia ter um pouco mais de ângulo. Não é mau, entenda-se...mas poderia ser melhor.






Mas aquilo que realmente merece uma menção, neste caso uma que é especialmente positiva, é o seu belo motor.
Eu já conhecia o motor tetracilíndrico da anterior "F" e a que não faltava energia, pelo que agora depois de ter testado também a Honda CB650R, as expectativas não ficaram defraudadas.

Este motor de 4 cilindros e 649cc (desculpem o preciosismo dos números) foi revisto pela marca, reclamando agora mais potência do que antes e com o redline a chegar às 12.000rpm.

O incremento que agora a fez passar a ter 95cv permite-lhe uma relação peso-potência muito boa, já que os técnicos da marca conseguiram também reduzir-lhe o peso em 6kg. Esta relação peso-potência traduz numa moto...bastante rápida a subir de regime.

A vantagem é que existe progressividade no debitar da sua potência, não sendo portanto um motor explosivo que dá tudo num determinado espaço de tempo.

É bastante fácil de conduzir com este motor se a vontade do condutor for essa, brindando-o com vibrações muito pouco perceptíveis e a sonoridade de que falei mais atrás.

Apesar disso e mesmo tendo conduzido motos substancialmente mais potentes e com outra reacção, esta não deixa de ter o seu lado mais de "besta" se p.ex. se roda o punho forte em 2ª ou 3ª.

Numa situação destas, o renovado motor da Honda responde muito rapidamente e a velocidade que aparece no painel de instrumentos garanto-vos que sobe a números totalmente proibidos nas estradas portuguesas.







Deixo ainda 2 notas de algo que me foi possível testar ao longo do tempo e kms em que tive com ela...

Uma delas é a sua 3a relação de caixa (lembro que são 6 relações) que se mostra "como peixe na água" a velocidades de cidade.
A elasticidade do motor e a sua suavidade com esta relação é tal, que se fica com ideia de não ser necessário mudar, mesmo a velocidades mais lentas como p. ex. 20kmh. Roda-se o punho e de um momento para o outro e, com mesma relação, está-se a fazer uma ultrapassagem a muito maior velocidade.

A outra nota diz respeito aos consumos e onde somente me posso basear no instantâneo que o computador de bordo me apresentava.
A velocidade estabilizada de 90kmh consome 4,6L/100kms. Varia para um pouco mais ou um pouco menos conforme se apanha ligeiro ângulo na estrada.

Se as velocidades sobem (e não me convém aqui escrever esses números), é fácil ver por ali para cima de 6L/100kms, em velocidades estabilizadas.

Não é moto para andar a pensar em consumos, nem me parece, com franqueza, que quem a adquira tenha propriamente isso em mente...






Quanto à embraiagem deslizante e utilização desta caixa de 6 velocidades na CB650R, as palavras mais correctas são: suavidade e precisão.

Tanto a suavidade da caixa (e que notei bastante mais "macia" que a anterior "F") como a própria manete, não exigem esforço. A forma como a caixa permite reduzir, mesmo com as rotações ainda algo altas, surpreendeu-me pela facilidade com que tudo se passava.

Aproveito para dizer que, em opção, existe a possibilidade de instalar “quickshift”.

No cômputo geral esta é uma moto bastante competente.
Tem algumas coisas que poderão ser melhoráveis, mas esta CB650R traz pleno agrado a quem a conduz, onde destaco como pontos mais positivos de todos o seu motor e a sua capacidade de travagem.

Não há motos perfeitas e esta naturalmente que não me demonstrou o contrário, mas ainda assim existe nesta nova CB650R muita moto para aquilo que custa... especialmente quando nesta fase de lançamento percebi que ainda está mais barata.





Agradecimento:
- Ao concessionário Motodiana e à sua equipa de colaboradores, pela cedência da moto pelo tempo que desejasse para a realização deste teste.
Conduz com cuidado e estima a tua scooter...e ela irá retribuir-te com óptimos momentos!