Autor Tópico: Diário de bordo - BMW C650GT (ZeZeZoom)  (Lida 3461 vezes)

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Diário de bordo - BMW C650GT (ZeZeZoom)
« em: 05 Jun | 2013 | 20:08 »
Estes primeiros comentários deste diário de bordo são uma súmula editada do diário de bordo da mota que criei e mantenho noutro fórum. Desde já, apresento as minhas desculpas pela respectiva extensão.
A mota, cujo cognome é eNGraçada, foi adquirida nova no dia 12 de Outubro de 2012. É preta.
No dia 18.12.2012 ficou benzida, depois de uma queda no parque de estacionamento do Palácio SottoMayor, em Lisboa, pelas 08,30 horas da manhã. Estava a chover imenso, o piso do parque (revestido naquela tinta plástica epóxica totalmente imperveável) estava encharcado e, ao virar à direita para descer para o piso -2, apesar de eu seguir em movimento muito lento, a roda da frente escorregou, o que me desequilibrou, tendo imediatamente colocado o pé direito no chão, ficando a mota em posição oblíqua debaixo de mim. Nesse momento, a roda traseira escorregou também e a mota escapou-me das mãos e foi a deslizar pelo chão adiante durante cerca de 2 metros, ao passo que eu fiquei sentado no chão. Do incidente resultaram pequenas mazelas na mota: dois riscos bastante finos na carenagem frontal direita, causados por grãos de areia que a mesma apanhou enquanto deslizava pelo chão e marcas de tinta do chão nas esquinas mais avançadas das plataformas para os pés do condutor e do pendura.
Utilizei uma lixa de 500 (não havia mais fina no Aki, imaginem!) para lixar as marcas de tinta do chão e uma caneta de tinta preta daquelas que se utilizam para dar retoques (disfarçar pancadas) nos móveis para pintar esses plásticos e, também, para disfarçar os dois riscos com cerca de 2 cm cada, que ficaram na carenagem frontal direita. Fiquei satisfeito com o resultado final dos meus retoques, pois a tinta da caneta não saiu mesmo depois da lavagem que fiz à mota e é preciso saber que aquelas áreas foram pintadas para perceber que foram 'intervencionadas'.
A média do primeiro depósito (em que conduzi a mota com pinças) foi de 5,09; a do 2º (em que fui explorando as capacidades do motor) foi de 6,18 l/ 100 kms.
O depósito de combustível é um dos aspectos desta mota que a BMW tem de rever; desde logo, porque a posição e o ângulo do bocal de abastecimento obrigam a colocar a pistola da mangueira quase de pernas para o ar; depois, porque os últimos 3 litros são extremamente difíceis e morosos de introduzir, já que qualquer pinga de combustível que entre faz disparar a pistola de abastecimento; além disso, a tampa do bocal de abastecimento, em plástico, fica colocada no interior de uma curvatura do assento e, se porventura este for aberto com essa tampa também aberta, esta decerto se partirá.
Nos primeiros tempos de utilização da mota, o depósito, apesar de aparentemente bem vedado, exalava um intensíssimo odor a combustível – sobretudo até percorrer os primeiros 100 kms depois de atestada – a ponto de quase me entontecer, de manhã, ao chegar à garagem. Um enorme erro de casting por parte da BMW, claramente uma questão não devidamente avaliada durante os testes. Tanto reclamei deste problema que a Motomil (o concessionário BMW Motorrad onde a comprei) acabou por instalar um filtro de carvão activo no sistema de abastecimento de combustível, componente que vai instalado de fábrica nas motas vendidas na América do Norte, mas que não é instalado nas motas comercializadas na Europa (vá lá alguém perceber porquê, atendendo a que aqueles vapores são tóxicos - são COVs, compostos orgânicos voláteis - e perigosos).
Vale a pena referir que a BMW Motorrad Portugal não assumiu o problema como uma deficiência do modelo e, portanto, a Motomil terá suportado todos os custos desta intervenção. O filtro de carvão activo resolveu o problema quase por completo, pois, agora, a mota raramente exala aqueles odores e, quando isso acontece, estes são muito menos intensos. 
Como as indicações que constam do manual de instruções e que me foram dadas quando a fui levantar são no sentido de rodar a diferentes regimes e delas não constam limites, nem em termos de rotações do motor, nem de velocidades máximas, durante a rodagem conduzi descontraído, sem pensar muito nos consumos, fazendo umas acelerações fortes com alguma frequência e, mesmo com a mota ainda muito presa e com cerca de 500 kms, cheguei aos 160 kms/h (um pouco mais, até), com pendura, a subir...O motor tem uma genica impressionante, quanto mais depressa vai, mais depressa quer ir – o que me parece natural, se pensarmos que o regime do binário máximo é às 6.000 e o da potência máxima é às 7.500 rpm.
Mandei colocar-lhe o encosto para o pendura, que se integra tão bem na mota que, quando a fui buscar, nem dei por ele, pois estava cheio de pressa. A partir daí, os meus filhos deixaram de reclamar por quase cairem da mota abaixo quando eu acelerava com mais intensidade. O encosto custou-me cerca de 170 euros.
Na altura da colocação do encosto, aproveitei para reportar outra deficiência de juventude da mota: a junta da caixa da transmissão (que não é correia, é por corrente em banho de óleo) apresentava uma pequena ressumância de óleo em parte da sua extensão. Já tinha lido relatos desse problema noutras unidades e, pelos vistos, a BMW estava ciente da situação, pois o mesmo foi erradicado. Creio que a intervenção implicou a substituição da própria tampa exterior da caixa da transmissão e não apenas da junta; o que é certo é que a mancha de óleo desapareceu por completo.
Em 01.11.2012, tinha uma reunião marcada próximo da Praça do Príncipe Real. Chovia e havia manifestações em Lisboa a entupir o trânsito em toda a área desde o Marquês de Pombal até à Assembleia da República. Em desespero, decidi-me pelo percurso desde a Praça da Alegria, passando pela Calçada da Patriarcal, uma rampa bastante íngreme e extensa, em paralelepípedo, com o piso muito irregular, rocurando chegar até ao Príncipe Real. Aquelas ruas estavam repletas de carros, em fila, parados. Fui avançando com a eNGraçada como pude, aproveitando tudo quanto é espaço que surjisse. A dado passo, ao fim de um sem número de acelerações (estava a subir uma rampa íngreme, quase preso no meio dos carros parados), a embraiagem começou a deitar um fedor a Ferodo que quase me tombava. Como não tinha alternativa e estava atrasado, continuei a procurar a passagem. O cheiro intensificou-se, a ponto de haver condutores que chamavam a atenção para o cheiro e outros que se afastavam para o lado e fechavam as janelas dos carros! Ao cabo de muito esforço e de muitos arranques, consigo finalmente chegar ao Príncipe Real! Pensei: vou ficar sem embraiagem! Avancei para o local da reunião e concluí que cheguei antes de outros participantes, que tiveram de deixar o carro muito longe e fazer o resto do percurso a pé.
Depois, ainda tive mais problemas com o trânsito, mas nada de excepcional.
Conclusão que retirei: a BMW C650GT não é propriamente indicada para entregar pizzas. Aquela lentidão que a mota manifesta nas duas primeiras voltas de rodas tem uma explicação: a embraiagem patina e de que maneira! Ao fim de uma sucessão de 5 ou 6 dezenas de arranques em subida - um exercício muito violento para qualquer mecânica - a embraiagem parecia ir dar a alma ao criador a qualquer momento.
Acredito que aquele não seja o ambiente para a qual a C650GT foi criada, mas acho indesculpável que uma scooter (ainda que Maxi) não esteja verdadeiramente preparada para o trânsito citadino intenso.
Seguiu-se a rotina quotidiana normal e, cerca de 2 horas depois, lá subi os Cabos Ávila, com o meu rapaz mais velho à pendura, a 150. Ela gosta é de estrada! Nessa noite, atestei-a pela 4ª vez. Média do 3º depósito: 5,97 l/100 kms.